Seguindo a estratégia de tentar várias vezes, de março para cá, foram mais algumas, até conseguirmos um embrião euplóide para transferência.
Na consulta de preparação, fomos recebidos com a frase:
"Este embrião é nossa bala de prata, temos que nos cercar de tudo que existe ou possa existir para dar certo. Se preciso, pecaremos por excesso".
Sugestão a seguir foi biópsia de endométrio.
Questionei quais seriam as potenciais abordagens a partir disto. A explicação foi que poderia aparecer alguma infecção, motivando antibióticos. Outra alternativa seria a demonstração de alterações "imunológicas", e algumas intervenções no campo dos tratamentos imunossupressores poderiam ser tentadas, entre elas algumas drogas comuns nos cuidados pós-transplantes de órgãos.
"Essa questão dos imunossupressores me deixou mais preocupada", comentei. "O que temos de evidências aí?"
"Se preciso, pecaremos por excesso", foi toda a resposta.
Depois de refletir em casa, decidi que não faria biópsia nenhuma. Na consulta seguinte, disse: "correrei o risco, vamos sem biópsia e sem os tratamentos decorrentes". Externei o que pareceu uma simples aceitação de risco, deixando assim. Quando, na verdade, havia feito uma pesquisa, e a discuti em teleconsulta com um consultor técnico, alguém a quem eventualmente recorro desde, pelo menos, maio de 2022. Vejamos o que valorizamos em conjunto:
Foi feita por nós, ainda, uma avaliação envolvendo eficácia dos tratamentos imunossupressores para essa finalidade, não sendo possível encontrar evidências de mínima qualidade que os validassem, pelo contrário. Encontramos alguns pareceres bem contundentes contra:
Toda discussão acima e similares são ainda sobre Abortamento Espontâneo Recorrente, ou seja, perda prévia de 3 ou mais gestações. Nunca tive perda nenhuma. Já investiguei questões desse capítulo que eventualmente possuem tratamento reconhecido, como SAF, sem triagem sugestiva do diagnóstico.
"Não farei biópsia, no momento".
Para não dizer que inexiste contraditório a essa mensagem geral de que, como tratamentos experimentais que são, deveriam existir apenas em protocolos de pesquisa devidamente autorizados pelos órgãos responsáveis, cabe dizer que encontramos diversos sites de profissionais e clínicas garantindo haver razões suficientes para utilização. Na maior parte das vezes amparando-se em mecanismos, fisiopatologia ou estudos não confirmatórios de nada.

