segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Biópsia em blastocisto como forma de transferir um embrião euplóide

Esse é um assunto denso e complexo, não é intenção desde post esgotar a questão e muito menos direcionar escolhas. 

É importante reconhecer, antes da escolha que forem tomar, que a referida biópsia remete à trade-off, muito mais do que somente vantagens ou somente desvantagens. Clínicas de Reprodução Humana, no entendo, usualmente só nos lembram das vantagens. 

Trade-off é um termo da língua inglesa que define uma situação em que há conflito de escolha. Ele se caracteriza em uma ação econômica que visa à resolução de problema mas acarreta outro, obrigando uma escolha. O termo refere-se, geralmente, a perder uma qualidade ou aspecto de algo, ganhando em troca outra qualidade ou aspecto. Isso implica que a tomada de uma decisão requer completa compreensão tanto do lado bom, quanto do lado ruim de uma escolha em particular.

Nossa escolha até o momento foi por biópsia, transferindo então um embrião euplóide. Assim decidimos, mas compreendemos que a referida biópsia apenas acrescenta uma "camada de probabilidade positiva", havendo senões e incertezas. 


Abaixo alguns materiais para avaliações e reflexões:






quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Sobrediagnósticos ou mesmo diagnósticos apressados de Falha de Implantação Recorrente pode ocultar conflitos de interesse, uma vez que abordagens adiante disto são usualmente mais lucrativas.

Artigo anexo aborda parcialmente o cenário: Recurrent implantation failure: reality or a statistical mirage | Consensus statement from the 2022 Lugano Workshop

domingo, 19 de novembro de 2023

Biópsia de endométrio e tratamentos imunológicos

Seguindo a estratégia de tentar várias vezes, de março para cá, foram mais algumas, até conseguirmos um embrião euplóide para transferência. 

Na consulta de preparação, fomos recebidos com a frase:

"Este embrião é nossa bala de prata, temos que nos cercar de tudo que existe ou possa existir para dar certo. Se preciso, pecaremos por excesso".

Sugestão a seguir foi biópsia de endométrio.

Questionei quais seriam as potenciais abordagens a partir disto. A explicação foi que poderia aparecer alguma infecção, motivando antibióticos. Outra alternativa seria a demonstração de alterações "imunológicas", e algumas intervenções no campo dos tratamentos imunossupressores poderiam ser tentadas, entre elas algumas drogas comuns nos cuidados pós-transplantes de órgãos. 

"Essa questão dos imunossupressores me deixou mais preocupada", comentei. "O que temos de evidências aí?"

"Se preciso, pecaremos por excesso", foi toda a resposta. 

Depois de refletir em casa, decidi que não faria biópsia nenhuma. Na consulta seguinte, disse: "correrei o risco, vamos sem biópsia e sem os tratamentos decorrentes". Externei o que pareceu uma simples aceitação de risco, deixando assim. Quando, na verdade, havia feito uma pesquisa, e a discuti em teleconsulta com um consultor técnico, alguém a quem eventualmente recorro desde, pelo menos, maio de 2022. Vejamos o que valorizamos em conjunto: 

Foi feita por nós, ainda, uma avaliação envolvendo eficácia dos tratamentos imunossupressores para essa finalidade, não sendo possível encontrar evidências de mínima qualidade que os validassem, pelo contrário. Encontramos alguns pareceres bem contundentes contra:

Toda discussão acima e similares são ainda sobre Abortamento Espontâneo Recorrente, ou seja, perda prévia de 3 ou mais gestações. Nunca tive perda nenhuma. Já investiguei questões desse capítulo que eventualmente possuem tratamento reconhecido, como SAF, sem triagem sugestiva do diagnóstico. 

"Não farei biópsia, no momento". 


Para não dizer que inexiste contraditório a essa mensagem geral de que, como tratamentos experimentais que são, deveriam existir apenas em protocolos de pesquisa devidamente autorizados pelos órgãos responsáveis, cabe dizer que encontramos diversos sites de profissionais e clínicas garantindo haver razões suficientes para utilização. Na maior parte das vezes amparando-se em mecanismos, fisiopatologia ou estudos não confirmatórios de nada.