Quem já leu mais deste Blog sabe que já frequentamos e avaliamos muitos profissionais da Medicina Reprodutiva. Permite que os classifiquemos esquematicamente assim:
Pseudocientíficos convictos |
Oferecem todos os tratamentos quase ou mesmo experimentais juntos, como um pacote de primeira consulta. Há o subtipo orgulhoso e exibido: “você quer esse negócio de saúde baseada em evidências ou quer resultado? Simplesmente possuo os melhores resultados".
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Pseudocientíficos por pressão |
A cada "falha" não se aguentam e tiram algo da cartola. Um tratamento questionável por vez. Passam a impressão de que temem perder o cliente ao se comportar diferente. Há presunção de que o paciente quer sempre algo mais. De que não basta se manter firme e empático, ao lado do casal.
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Pseudocientíficos acadêmico-tecnicistas* |
Criticam o não ortodoxo (apenas). E, então, a pseudociência desses outros. Alguns deles até chamam os acima de "picaretas".
Entretanto, as suas convicções questionáveis (aos olhos deles, inabaláveis, como qualquer crença), diferentemente de como acontece com os pseudocientíficos convictos e por pressão, têm ainda mais "verniz acadêmico-tecnicista". Pseudociência, no entanto, traz justamente isso na definição: parece ciência, mas não é. Traz "linguagem e estilo acadêmicos", mas só. É o subtipo dos convictos que talvez nem se enquadre bem no rótulo de pseudociência.
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Encontramos ainda um exemplar típico da medicina norteada por ciência, que aceita serenamente áreas de incerteza. Não surpreendentemente, é o mesmo que disse que seus resultados eram como os de qualquer bom médico da área. Que, por estar em outra cidade, não fazia sentido irmos até ele sem esgotar possibilidades locais.
* um profissional que chamou vários outros da área de picaretas, que disse que teoria antiinflamatória com antioxidantes e dieta low carb eram pirotecnias não comprovadas, travou nosso processo por um TSH normal, "não ideal". Sem critérios nem mesmo para hipotireoidismo subclínico ou anticorpos positivos, dois endocrinologistas de confiança nos sugeriram simplesmente ir adiante - corríamos contra o tempo! Resolvemos acatar recomendação para uso de Levotiroxina pelo pseudocientífico acadêmico-tecnicista como forma de avançar (trazia consigo uma intervenção "rastreável"). Compramos, iniciamos, mas pedimos que deflagrasse paralelamente o processo - por vezes demorávamos alguns meses até encontrar quantidade mínima de óvulos para puncionar e não "passávamos na prova da biópsia". Ele não aceitou e ainda sugeriu que estava querendo uma criança saudável mais do que nós.
Resolvemos baixar o TSH, ignorando a recomendação dos endocrinologistas. Como tentativa de ir em frente... Acabamos voltando para quem consideramos o melhor profissional entre as experiências prévias, inserido em uma clínica que indicava fantasias não rastreáveis. Sugerir que não estávamos querendo um filho não, né!?
Acréscimo de informação (11/01/2024): A ASRM (
American Society for Reproductive Medicine) publicou em dezembro de 2023 suas novas diretrizes sobre o manejo do hipotireoidismo subclínico na população feminina infértil -
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